
Todas as quartas-feiras do mês, no Teatro Municipal de São Carlos/SP, ocorrem às chamadas “Quartas Alternativas”, evento que busca fomentar e abrir campos locais para as artes cênicas. Dia 28 de julho, quarta-feira, não foi diferente, aproveitando que a Coordenação do Palco Fora do Eixo passava pela cidade, Anna Kuhl, integrante da Cia da Insônia e Preto no Branco, organizou e mobilizou grupos locais para comparecem, na tardinha, para um bate-papo sobre a nova frente gestora do Circuito Fora do Eixo: o Palco Fora do Eixo.
A cena local foi representada por seis grupos como Preto no Branco; Cia da Insônia; Acaso; Teatro Descalço, Atuando em Psi, além de artistas independentes e o Instituto Cultural Janela Aberta. Com cerca de 15 agentes presentes envolvidos com a movimentação e linguagem cênica, a conversa foi iniciada por Carol Tokuyo, integrante do Massa Coletiva, que elaborou um breve histórico sobre o Circuito Fora do Eixo e a organização dos coletivos integrantes dessa rede.
Seqüencialmente, a palavra foi de Cláudia Schulz, a qual mais uma vez, nessa semana, buscou explicar aos grupos quais foram às inquietações que geraram o que hoje denominamos de Palco Fora do Eixo e quais as diretrizes e metas do mesmo. Destaca-se que dentre as diversas aflições que atravancavam o crescimento da cena local de Santa Maria, cidade onde se localiza o Macondo Coletivo, tinha-se a necessidade de intensificação de diálogo entre os grupos locais, a troca de tecnologias entre os mesmos e a própria valorização do fazer teatral mútuo dos grupos como metodologia de formação de platéia.
Com o decorrer do bate-papo, os grupos locais presentes confidenciavam que muitas dessas inquietações são pontos em comum em São Carlos e que, mesmo existindo uma quantidade considerável de grupos cênicos, há pouco diálogo entre os mesmos. A conversa finalizou com um convite a todos participarem da Oficina “Iluminação com base no reaproveitamento de materiais recicláveis” que aconteceria no outro dia, na sede do Grupo Preto no Branco.
Durante o turno da manhã do dia 29 de julho, nove agentes teatrais estiveram presentes para a construção do refletor, usando, como materiais, latas de tinta, ferramentas e outros materiais. O modelo de refletor que foi construído é baseado na tecnologia de um PC (refletor plano convexo) muito encontrado em teatros como equipamento que cumpre diferentes funções. Foi realizando um storybord de todo o processo de construção do refletor além de anotações para que a partir desse material seja elaborada a primeira cartilha de iluminação.
Após a construção do refletor, batizado pelo grupo como “Dito”, rumamos todos para o Teatro Municipal para a segunda etapa da oficina. Lá, a conversa foi mais técnica ainda. Juntamente com Ernesto, técnico de luz do local, foram apresentados os quatro tipos de refletores existentes no Teatro Municipal de São Carlos (PC, par, set light e elipsoidal) mostrando seu funcionamento interno, para quê deve ser utilizado, além de falarmos de concepção de iluminação, plano de luz/operação.





No final da tarde a conversa foi finalizada com a implementação do núcleo teatral em São Carlos. O núcleo durável, para o início do debate e do fortalecimento da cena local, foi composto por Cia da Insônia, Grupo Preto no Branco, Acaso e Natália Zambone (artista independente). A partir dessa implementação, a primeira rota para trocas e circulação das artes cênicas pela regional sudeste já está concretizada e o objetivo maior da Tour da Coordenação do PFE foi cumprida.
Redação: Cláudia Schulz - Revisão: Lucia Dalmaso - Fotos: O Grupo